Sentiu falta das músicas mais lentas
Sentiu falta do tempo que era mais fácil
E riu das vezes que dizia que o tempo não passava
E se tivesse feito outras escolhas, outros amigos, outra cidade?
Estaria nesse mesmo caminho, nesses mesmos dias?
Seria tudo assim? Seria?
Não era a mais bonita, não era a mais legal, nem se destacava...
Não teve o baile de quinze anos, nem príncipes...
Nunca teve príncipes, talvez porque desde cedo aprendeu que a maioria dos contos de fadas era somente para adormecer!
(Sonha com eles, em roupas bonitas e sorrisos perfeitos, mas são só sonhos, ela sempre soube)
Viveu apenas com vilões, porque esses sempre existiram.
Perdeu dias no escuro, perdeu dias de diversão
Ficou na cama, apenas a luz da vela iluminava as páginas dos livros
Aventurava-se, se divertia nas aventuras de outros
Nos finais felizes de outros
Porque desde cedo, aprendeu que nada era daquele jeito
Era apenas imaginação, eram apenas contos.
Perdia noites acordada, sempre com música nos ouvidos
Ela tinha sempre, sempre e sempre uma trilha sonora.
Ela ainda não amou, ainda não conheceu o lado doce disso
Não conheceu aquelas cenas de filmes românticos...
Não conheceu ainda aquela pessoa que fizesse seu coração descompassar...
Cobria com o travesseiro o rosto, escondia aquelas gotas amargas
Escondia, mesmo que estivesse no escuro.
Aquela pose de pessoa forte, de que não dá a mínima pra nada
Aquela fachada forte, sempre guardou uma lugar frágil
Mas ninguém precisava saber, ninguém
Ela ainda estremece quando alguém se aproxima, ainda fica boba com coisa melosas
Ainda chora com finais tristes
Ainda esconde as lágrimas no escuro...
Uma parte daquela pré-adolescente ainda mora, em um pedaço do seu coração
Ainda é insegura, ainda é frágil, ainda tem medo de ficar sozinha
Ainda espera ansiosa pela estrela cadente.
É mais inocente, muito mais inocente do que parece
Passaram a sua frente, todos passaram a sua frente, e ela ficou pra trás
Tão envolvida nas suas coisas, tão perdida em escolhas perfeitas
(ela só quer acertar uma única vez)
Ela está esperando, com a chave no pescoço
Espera todo dia
Aquele alguém aparecer... Aquele alguém que nunca viu...
Ou que não conheceu...
Olha em cada face, perde-se em cada olhar, em cada sorriso
Mas sente, sente que não está
E se não está ali, onde está?
Onde?
By: P. Elizabeth
“E eu não tenho ninguém pra ligar na madrugada, dizer: “Tá doendo pra caralho, vem me ver”. Ninguém pra atravessar a cidade por mim” - Caio Fernando de Abreu

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