Aos poucos eu fui me tornando cada vez mais dura e fria.
Coisas bonitas da vida, sentimentos de doçura e tudo aquilo que os torna tão sorridentes, apenas faz-me congelar.
Torna a capa cada vez mais resistente.
Se isso me machuca, bem lá no fundo pode ser sentido, mesmo que aquela misera lágrima tente escapar, meus olhos são mais fortes e as prendem, tecendo-as uma a uma.
Eu já tentei adormecer com a luz do sol.
Quem sabe ainda resta alguma fenda...
Quem sabe ainda existe um pequeno vestígio daquilo que fui um dia...
Pianos e violinos deixam-me mais calma, quem sabe, suavemente, possa nevar...
As palavras e os sorrisos mais tristes me alimentam, aumentando ainda mais a amarga melancolia.
Essas linhas finas traçando meu rosto demonstram que ainda posso fraquejar...
Uma luz sempre aparece para clarear até mesmo os dias mais nublados!
Não é fácil manter essa mesma face sem expressão, não é fácil, manter os olhos tão sem vida...
Ainda sou eu, ainda sou eu por baixo desses flocos brancos...
Reconheceria-me se nos encarássemos?
Reconheceria-me se tocássemos ambas as pontas dos dedos?
Ainda lembra-se daquela pessoa...
Preciso de alguma foto antiga, quem sabe eu possa me espelhar...
Preciso das minhas memórias de criança...
By: P. Elizabeth
"Você mentiu para mim, falando a verdade" - J. Sparrow

Nenhum comentário:
Postar um comentário