E
eu estava ali, com a rosa chá entre os dedos indicador e médio. Esperando você
chegar. Nervosa, rezava internamente para que o caule espinhoso se
transformasse em um cigarro mentolado.
Apertava
as mangas da blusa de mangas compridas contras os dedos já frios. Não queria
perder o gosto de bala de morango da minha boca, queria provar seus lábios
róseos pela primeira vez com um hálito doce. Doce como os seus, que com toda
certeza seriam, naturalmente.
Seria
boba por dizer que o mesmo sorriso desenhado em meu rosto, aquele que eu havia
dado desde a primeira vez que vi seus olhos, estava presente aqui o tempo todo?
De
alguma forma, eu ainda não consigo acreditar que te verei, que tocarei seu
rosto ou que ouvirei sua voz... Talvez possa ser um sonho, ou talvez eu
acredite que realmente seja um, fico tão fora da realidade assim, com você.
Aquela
nossa canção, aquela que ouvíamos ao mesmo tempo, sem sabermos, está no replay
há horas. As mesmas batidas lentas na bateria, as mesmas notas dedilhadas nas
finas cordas metálicas da guitarra, e o som melodioso do piano ao fundo.
Seria
seu abraço tão terno e caloroso, assim como eu sempre imaginei? Seriam
reconfortantes como os que eu dava no meu travesseiro, antes de dormir, ou
quando eu pensava em você com os olhos molhados?
Meu
tênis batendo contra o chão de paralelepípedo, rápidos e angustiados. Meus
olhos procurando por vestígios do seu ser. Virando a esquina, ou simplesmente
tapando meus olhos, para me surpreender. Você está atrasado. E eu estou
enlouquecendo.
Por
que me tortura tanto assim? É pra me deixar ainda mais apaixonada por você? Pra
me deixar cega e desesperada por seus toques?
Sentada
na grama, sem me importar de sujar a calça jeans, abraço meu próprio corpo.
Está frio e você ainda não apareceu. Enrolo cada vez mais o cachecol em meu
pescoço, evitando os arrepios de tomarem conta de mim.
Os
olhos dobrados em tamanho, assustada. Ainda sou criança, ainda sou inocente.
Ainda sou esperançosa e confiante. Apertando a mochila contra o peito, como se
ele fosse meu ursinho de dormir. Por que não vem? Por que demora, por que faz
isso, dessa maneira gritante e solitária?
As
pessoas começam a me olhar assustadas, talvez por eu estar soluçando sozinha
aqui, por eu estar com o rosto coberto de negro, por ter te esperado a noite
toda. Minha rosa está murcha e preto-e-branco.
Quero
sair daqui, quero deixar minha tolice para trás... Mas... E se você chegar... E
se você chegar aqui, e eu ter simplesmente desistido e ido embora? Não quero me
desencontrar assim... Não quero meu garoto dos sonhos, não quero te deixar
passar, sem antes eu ver seu olhar...
By: P. Elizabeth